domingo, 4 de dezembro de 2011

O METRÔ DE CURITIBA.



Já está confirmada a verba para o metrô de Curitiba.

O cidadão está na dúvida: isto é bom ou ruim? A desconfiança não é à toa. Diante dos recentes questionamentos populares, cada vez mais percebe-se o descompromisso popular e coletivo dos grandes projetos governamentais e de corporações privadas.

O mito do Transporte Coletivo Modelo já vem sendo desconstruído por movimentos populares e como blocos principais já se identificam: a estética, a propaganda repetitiva e o interesse de grupos econômicos formados por famílias de políticos e empresários.

De fato, as centenas de acidentes mensais, custo elevado da tarifa, as superlotações, a ineficiência e as negociatas trazem um novo olhar para o sistema que, nos tempos áureos de seu marqueteiro mor – Jaime Lerner, enriqueciam o patético orgulho de um cidadão curitibano alienado pela propaganda.

No momento atual, o projeto do metrô surge para realizar promessa não cumprida de várias campanhas eleitorais que elegeram e re-elegeram prefeitos e sua execução é viabilizada, avalizada e apoiada pelo governo federal, que cede verba a fundo perdido, da ordem de 1 BILHÃO de reais para o projeto.

O fluxo de pessoas e materiais dentro de uma cidade é complexo e envolve uma análise técnica apurada, além de um grande diálogo popular e compromisso coletivo. Com uma audiência pública fracamente divulgada [1]. Será que esse compromisso ficou acima do oportunismo e dos interesses empresariais de empreiteiras, imobiliárias e políticos locais e nacionais?

A resposta a essa pergunta está diretamente ligada a nossa futura qualidade de vida e ao consumo de energia pela cidade. Sim energia, afinal 1 litro de gasolina é energia para mais de 1 hora de chuveiro elétrico [2].

Numa rápida análise, o novo cidadão curitibano, desconfiado e com mais senso crítico, já começa a enxergar algumas incongruências no projeto:

Traçado:

O traçado do projeto prevê a substituição de um eixo de transporte existente e plenamente funcional, ao invés de ampliar pontos de embarque e transporte, ineficientes e até inexistentes em diversos pontos da grande Curitiba. É como se faltasse uma torneira na pia do banheiro, mas ao invés de instalá-la alargássemos a tubulação que abastece o chuveiro, apenas por que passa mais água por ali do que para a torneira que não existe ainda. É fácil entender esta questão: como não havia pesquisa origem destino, optou-se pela implantação no eixo mais carregado, para garantir o lucro da operação. Uma pesquisa origem-destino foi tacitamente encomendada após o projeto, no estilo pesquisa eleitoral, ou seja provavelmente com o resultado já encomendado para sua ratificação.

Modal:

Toda a análise referente ao pleito pela verba do PAC da Mobilidade do governo federal foi feita como se houvesse apenas um modal de transporte possível: o metrô. Trólebus, VLT (veículo leve sobre trilhos), aeromóvel, bonde, etc... não foram considerados em profundidade. Adequadamente analisadas, seriam alternativas de menor custo operacional e de implantação.

Impacto da obra:

Uma vez que a obra tem duração de vários anos, e não possuindo o necessário Estudo de Impacto de Vizinhança, os pequenos empresários vicinais estão apreensivos. Para os passageiros, a preocupação também existe: o que acontecerá com o eixo de transporte afetado durante as obras? Será que o trabalhador e o estudante farão o trajeto em menos tempo durante as obras?

Tarifa:

O ônus da mobilidade urbana em Curitiba é concentrado sobre o cidadão que menos polui, menos gasta energia, menos mata e menos tem dinheiro no transporte, que é o usuário do transporte coletivo, assim, quem pagará a conta da empreitada que busca dar mais fluidez a toda a mobilidade urbana será novamente o usuário do transporte coletivo, inclusive aquele que não usará o metrô.

Em time que está ganhando não se mexe, e o Transporte Coletivo Modelo está ganhando e muito, haja vista a indiferença/ intransigência do governo municipal frente a pequenas propostas feitas por iniciativas populares tais como a integração temporal e/ou tarifa horo-sazonal [3].

Enfim o cidadão começa a entender que o voto não mudará em nada a lógica e o mecanismo do sistema, e o protagonismo popular começa a ser considerado seriamente para a construção de uma cidade realmente comprometida com o futuro de seu coletivo [4].


[1]http://sociedadpeatonal.blogspot.com/2011/03/audiencia-publica-do-metrocuritiba.html

[2]http://sociedadpeatonal.blogspot.com/2010/11/mobilidade-energia-e-meio-ambiente.html

[3]http://sociedadpeatonal.blogspot.com/2010/02/especificamente-no-caso-da-licitacao.html

[4]http://sociedadpeatonal.blogspot.com/2009/03/mpl-curitiba-um-movimento-que-merece.html

1 comentários:

murilonl disse...

Não acho tão desacertada a escolha do traçado nem do modal. Como primeira linha, acredito que seguir os eixos estruturais da cidade é coerente, além do que, o metrô cria uma demanda de pessoas e as traz para uma zona que já está preparada e densificada para atender.
Quanto ao modal, na minha opinião, apesar dos avanços que houveram nos VLT´s e Monotrilhos, eles ainda não substituem o metrô como veículo para alta capacidade.
Acho que o mais crítico neste projeto, será viabilizá-lo economicamente, da maneira que está montado, esta PPP não atrairá muitas empresas dispostas a investir, acho que acontecerá uma pressão da iniciativa privada para mudar as condições de financiamento e contrapartidas do governo. O que é péssimo para o projeto. Mais ou menos o que vem acontecendo com o TAV..

Abs