domingo, 7 de novembro de 2010

MOBILIDADE, ENERGIA, SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE




HIDRELÉTRICAS: A SUSTENTABILIDADE É UMA FARSA!!

Enquanto damos gritos suados ao vento, “autoridades” de gravata e ternos finos, refrigerados com potentes ar condicionados gastadores, despacham a favor da barragem de Belo Monte, que inundará mais de 500 km2 da Amazônia, comprometendo o ecosistema do rio Xingu e desalojando comunidades verdadeiramente sustentáveis – os indígenas de verdade.
Indígenas de verdade são aqueles que não cedem à aculturação.
Explicamos: enquanto na Amazônia indígenas (especialmente as índias!) resistem bravamente, aqui, no caso do Paraná, comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, faxinalenses, curandeirxs, caiçaras, ilhéus, etc...) já estão sendo assediadas pela COPEL, que deve investir mais de 1 milhão de reais em lampadinhas e instalações elétricas residenciais para seduzir e aculturar as futuras vítimas das mais de 150 PCH´s (pequenas centrais hidrelétricas) que serão construídas e comprometerão toda a bacia hidrográfica da região.
Na Amazônia, os indígenas não vêm qualquer valor nos "espelinhos", celulares, carrões e ar condicionado. Enfim não trocam sua vida em harmonia com a natureza pela vidinha medíocre, breve e apressada das cidades, cheia de pervertidos e viciados em consumo e tecnologia.

MAS O QUE ISTO TEM A VER COM MOBILIDADE URBANA?

Em nossa palestra na Agenda 21 local (Paraná), já alertamos sobre o grande paradigma da sobrevivência humana: a questão da energia. A invasão do Iraque pelo governo estadosunidense, para roubar o petróleo do país indefeso, ilustra claramente a primeira grande guerra da energia. Tenta-se tapar o sol com a peneira, dando-se a cara de Bush ao conflito, mas a verdade inconveniente aparecerá mais cedo ou mais tarde: religiosos apocalípticos, preparem-se para faturar – “o fim está próximo!”
Aqui em Curitiba, uma bicicletinha solitária circula com placas penduradas com a seguinte inscrição:
“1 LITRO DE GASOLINA É ENERGIA PARA MAIS DE 1 HORA DE CHUVEIRO ELÉTRICO”
Explicamos novamente: é muito fácil para o leitor fazer uma contagem rápida dos veículos mono-ocupados em qualquer rua da cidade: ele constatará que mais de 80% dos automóveis circulam mono-ocupados (apenas com o motorista). Enquanto isso, o BEN2009 – Balanço Energético Nacional, editado pelo Ministério das Minas e Energia, em sua tabela 1.4b (pág. 22) aponta que, em termos de energia, o consumo de gasolina e álcool equivale a mais de 70% do nosso consumo de eletricidade!!
Vou detalhar melhor: se ao invés de ir para o tanque dos veículos mono-ocupados o combustível fosse para termoelétricas (que podem ser construídas ao lado das cidades, economizando linhas de transmissão), poderíamos gerar aproximadamente o equivalente a mais de 6 usinas Belo Monte!!!
O detalhe: para isso teríamos que ter transporte coletivo decente e barato nas cidades, um urbanismo inteligente valorizando o pedestre e o ciclista, além de tributos justos, que onerassem carros e seus combustíveis ao mesmo tempo em que financia políticas de mobilidade democrática e de baixa energia...
PS.: Esclarecemos que a idéia não é fazer apologia a termoelétricas, mas sim demonstrar os equívocos de uma política de mobilidade urbana voltada para o desperdício de energia. Lembramos que termelétricas emitem CO2 pela queima de seu combustível, mas nesta análise hipotética o balanço final seria nulo, pois o combustível seria queimado de qualquer maneira pelos carros.


SAIBA MAIS:

Wikipédia – Usina Belo Monte
http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte

Povos do Xingu contra a construção de Belo Monte
http://www.youtube.com/watch?v=YgtC93oUfNU

2 comentários:

ghidini disse...

mais uma vez cabe muito bem a referncia do texto "El territorio desde la perspectiva ecológica" do prf. Mariano Vázquez Espí. Pode ser visto em:
http://habitat.aq.upm.es/boletin/n42/ac3.html

Ghidini disse...

Também vale o registro:

http://ghidinienespanha.blogspot.com/2009/05/curitiba-verdad-o-mentira.html

e mais completo em:

http://habitat.aq.upm.es/boletin/n42/ab-rghi.html