segunda-feira, 14 de junho de 2010

Carnificina em plena praça pública de Curitiba – ANATOMIA DO DOLO EVENTUAL.



Com muita tristeza compartilhamos da dor das vítimas e familiares da tragédia da Tiradentes, ocasião em que o Ligeirinho COLOMBO/CIC 11:35 invade ponto de ônibus e loja, ceifando a vida de pedestres e ferindo passageiros.


A cena parece mais um atentado terrorista e talvez até o seja, afinal, depois do terrorismo fundamentalista e do terrorismo de estado, o terrorismo causado pelos interesses econômicos seja uma nova modalidade a ser rotulada.
Edison Pereira da Silva esperava o ônibus e morreu. Seu pé foi decepado e lançado à distância nas redondezas da praça. Morte violenta, indigna e desumana.
Pedestres que caminhavam na calçada e passageiros estão entre os demais feridos, alguns com gravidade ainda lutam pela vida.
Carlos Alberto Fernandes Brantes, 63, faleceu no helicóptero a caminho do hospital.


Edison trabalhava com teatro e Brantes com documentos históricos e culturais. Edison gostava de pescar e Brantes, de leitura. Pessoas comuns, como eu, você, ou Cleonice Gouvêa, que em outro “acidente” do transporte coletivo perdeu a vida violentamente num ônibus superlotado em horário de rush, quando caiu do ônibus e foi atropelada pelo mesmo.


Mas afinal o que é um acidente? No caso em tela, o motorista do ônibus desgovernado foi preso e liberado no dia seguinte respondendo a processo por homicídio culposo (não intencional). O SINDIMOC providenciou advogado para sua liberação, mas não fez qualquer denúncia sobre riscos ao usuário. É legítimo que funcionários do transporte coletivo tenham sindicato para cuidar de seus interesses, mas quem cuida do interesse dos usuários?


Motoristas de ônibus reclamam de pressões, multas e horários a cumprir num trânsito caótico, mas o SINDIMOC não emitiu declaração formal a respeito. Enfim, o SINDIMOC ou assume posição formal sobre riscos a que estão sujeitos os cidadãos curitibanos, ou assume que motoristas são os culpados. É preciso rastrear responsabilidades para se evitar clientelismos!


O edital dos ônibus de Curitiba (veja as postagens abaixo), por sua vez, fomenta AUMENTO DE VELOCIDADE MÉDIA dos ônibus. É possível assim aumentar a produtividade e ganho do sistema pois mais passageiros poderão ser transportados com menos ônibus, aumentando o lucro.


Enfim, até que ponto há uma fatalidade, um “acidente” e até que ponto há o dolo eventual, onde o responsável assume riscos para maximizar seus lucros?


Uma vez assumindo que há dolo, teremos outro problema para varar os mecanismos de blindagem das oligarquias: quem é o responsável? No caso Cleonice Gouvêa, o MP-Pr definiu como responsável a porta do ônibus por onde caiu a passageira! Não foi exigido qualquer sistema de controle eficaz da superlotação dos ônibus! Como temíamos e como alertamos ao próprio MP-Pr, o ajuste de conduta ficou restrito ao “tecniquês” relacionado a porta do ônibus. O usuário do ônibus está a descoberto, não há advogados por ele e sua sentença é a morte acidental.


É difícil saber o que impressiona mais: o nível de violência a que está sujeito o cidadão que viabiliza a mobilidade urbana ou o descaso de caras e “respeitáveis” instituições.


O pedestre, o ciclista e o usuário de ônibus são os que sofrem na pele a violência física, as vezes letal, por abdicarem da “bolha de aço de atmosfera controlada”, seja por opção ou necessidade. Esta realidade precisa mudar se quisermos preservar não só o direito de ir e vir dentro da cidade, mas a viabilidade de ir e vir.


Enfim, encerro esta postagem com um alento e um desalento.


O alento por conquistarmos através de nossos questionamentos, o início, mesmo que lento e inexpressivo, da integração temporal, quando o passageiro pode pegar o alimentador sem ter que ir até o terminal. A integração já podia ter sido implantada há 7 anos, quando da implantação do cartão transporte, mas o comodismo impediu.


O desalento fica por conta da licitação dos ônibus, cujo resultado deve sair durante a copa do mundo, naturalmente. Nestes meses em que questionamos o edital, pudemos notar que surgiu um escândalo na assembléia de deputados estaduais que abafou completamente a questão da licitação dos ônibus. Também não tivemos posição do MP-Pr sobre a denúncia que fizemos e a tendência é que tenhamos transporte coletivo caro, ruim e homicida por mais 25 anos.

3 comentários:

Ghidini disse...

"Los accidentes no ocurren por acaso y no son hechos de la fatalidad. Existe siempre un factor de riesgo sobre lo cual es posible actuar modificando así la ocurrencia de eventos traumáticos" (1).

"El riesgo es una palabra que se refiere al futuro. No tiene existencia objetiva. El futuro sólo existe en la imaginación. Hay algunos riesgos que la ciencia puede aportar conocimiento útiles a su imaginación" (2).

La accidentalidad, está íntimamente asociada al riesgo y a su conocimiento o no. El riesgo pasa a tener el carácter de riesgo deliberado o riesgo desconocido.

Es mucho más fácil actuar sobre el riesgo deliberado para modificarlo a niveles de ocurrencias do que cuando hablase del riesgo desconocido.

El riesgo deliberado, es algo previsible, pero el desconocido tratase de algo en que los actores o parte de ellos no tienen el conocimiento de determinadas situaciones específicas o generales que puedan afectar de manera determinante el éxito o el fracaso en una o en un conjunto de acciones o actividades.

La distracción, el despiste, las drogas, el alcohol, el stress del trabajo, etc., contribuyen de una forma directa para la ocurrencia de atropellos, tanto por el conductor como por parte del peatón según los datos de los partes de la PMM y son situaciones que en su momento la percepción del riesgo ha quedado “out-off” o mismo en rarísimas ocasiones, no era realmente algo conocido por alguno de los actores.

Existen riesgos percibidos directamente sin mayores problemas que son detectados por nuestros instintos y nuestra intuición y que son probabilísticamente determinados o pasibles de determinación mediante estudios complementarios.

Otros riesgos son solamente percibidos por intermedio de los “sabios” – la ciencia. Son riesgos que dependen del conocimiento de avanzados procesos científicos para que se puedan determinar y que uno cualquiera, si no fuera avisado jamás lo podrá percibir.

Todavía hay los riegos virtuales, aquellos que dependen del “modus vivendis” de los mortales y que tiene raíces en factores socioculturales como la convicción las supersticiones y si lo que se cree es verdad.

Se publicó en un periódico (3) , una matéria com el título: Consumo de Drogas - El peligro de no calcular los riesgos, donde los expertos en el tema, entrevistados, coinciden el el facto de que la falta de previsión de los riesgos en consumir substancias como la cocaína, que a medio-largo plazo pueden minar a la vida del usuario, conlleva a situaciones en que los adictos creen en un principio que controlan y cuando se dan cuenta se há ido de las manos.

Es posible identificar a los accidentes como el ocurrido con el "Ligeirinho", como a ocurrencias en situación de los grupos de riesgo:
Los percibidos directamente – los que se dan a la luz de la razón y otros en el grupo de los riesgos virtuales, los que tienen que ver con el desconocimiento momentáneo de la exposición a una situación de riesgo.


(1) DALLAGNOL, C. J. - Coordenadora del sistema de atención a victimas de accidentes de trafico SIATE/Corpo de Bombeiros de Curitiba (en el I Seminario sobre Calçadas, Curitiba, 28.10.2003)
(2) ADAMS, J. Risk Management:: It's not rocket science - It's much more complicated.
(3) Público, 29.02.2008, pag. 12y 13 - Analisis Yolanda Gonzáles entrevista com José Cabrera - psiquiatra y forense, Ignácio Calderón - D.G. de la FAD y Modesto Salgado - Proyecto Hombre de Castilla la Mancha)

Ghidini disse...

Quando o risco é deliberado e ainda assim nada é feito para modificar a possibilidade de que ocorra então um acidente, isso pode ser um ato criminoso.

A URBS, em outra ocasião, através do depoimento em entrevista na Gazeta do Povo, por parte da diretora Rosangela Batistella, assumia que as lombadas eletrônicas desligadas, não eram um problema, pois lá estando, mesmo desligadas, existiam e assim sendo seriam respeitadas. Ora sabemos que não é nada disso. O pedestre nesse caso, está exposto a um risco desconhecido, pois presume a segurança no local, que não existe.

Assim, me parece que este lamentável episódio com o ligeirinho, onde duas pessoas perderam a vida, terá que ser muito bem esclarecido, desde os motivos, até os responsáveis e seu grau de implicação e culpa.

A URBS terá que rever a outorga das licitantes do transporte coletivo. Não podemos admitir, além de todo “ato ilícito” que ampara a licitação, amplamente divulgado pela Sociedad Peatonal, ainda mais o aumento da velocidade no sistema, para barateamento e conseqüente aumento do lucro dos empresários exploradores daquilo que deveria ser um bem público e gozar de subsídios para facilitar o uso que é o TRANSPORTE PÚBLICO que aumenta a sociabilidade, diminui a contaminação, o congestionamento e vai de encontro às pautas sócio-ambientais desejáveis.

A Sociedad Peatonal, bem como o FoMUS, irão manter uma posição de vigília em cima deste episódio e iremos cobrar a apuração “Tim-Tim” por “Tim-Tim” e pediremos punições exemplara aos culpados.

Luis Patricio disse...

Realmente lamentável !!

Quando vão começar a respeitar pedestres em nossa cidade?