
O FIM DA NOVELA.
Agora está sacramentado.
Temos, para os próximos 25 anos, a garantia de ônibus ruim e caro e a consolidação da oligarquia que explora o serviço
A apenas alguns metros dali, na praça Tiradentes, o chão ficou marcado com o sangue das vítimas do ônibus ruim e caro. Como no caso dos pedágios rodoviários, surge agora um prato cheio para “Maria Loucas” e “Salvadores da Pátria” se elegerem ou re-elegerem, com promessas desde já fracassadas de revisão de contratos.
Na presença da grande mídia, autoridades locais e empresários de ônibus, foi anunciado o resultado da licitação. Conforme já havíamos previsto ANTES da abertura dos envelopes sigilosos, o valor foi de nada menos que R$ 8,5 Bilhões, para 15 anos, com possibilidade de renovação por mais 10 anos SEM LICITAÇÃO, o que resultará num custo de aproximadamente R$ 14,5 Bi. Ocorre entretanto que a mídia já comenta sobre necessidades de reajustes contratuais no próximo ano.
CENSURA E OPRESSÃO CONTEMPORÂNEOS.
Como na abertura dos envelopes, tentamos dar o nosso recado em silêncio, através de placas, mas desta vez o material foi tomado à força da militante do MPL- Curitiba.
A estratégia do poder econômico e da Prefeitura de Curitiba, de calar manifestações já é conhecida pelo MPL e por ciclo-ativistas. Recentemente tentou-se inclusive levantar um memorial na praça Tiradentes, para lembrar aos curitibanos das vítimas da recente tragédia, mas o ícone foi arrancado imediatamente pela multinacional Clear Channel, empresa que explora o espaço dos pedestres e usuários de ônibus.
MOBILIDADE E SEGURANÇA SERÃO PREJUDICADOS.
Não houve qualquer tipo de competição. Os consórcios participantes foram
É provável que a superlotação na verdade diminua em virtude da compra de carros e motos pelos usuários que já enxergam o transporte motorizado individual como mais atrativo em custo/benefício. O problema é que isso significará aumento da passagem para os que não conseguem migrar para o transporte individual. Tudo conforme a lógica da Prefeitura de Curitiba para tapar buracos no financiamento do transporte coletivo.
Enfim consolida-se a gambiarra de nome bonito: BRT – Bus Rapid Transit ou Metrô de Superfície, enquanto o sonho do METRÔ DE VERDADE fica cada vez mais longe, servindo apenas para eleger e re-eleger o próximo prefeito. Como solução para o excesso de carros receberemos os binários e viadutos, diminuindo calçadas, extinguindo espaços em praças e compartimentando a cidade por classes ou funcionalidades.
O EFEITO PEDAGÓGICO.
A cópia da impugnação foi enviada ao MP-Pr, aquele mesmo que tratou da morte de Cleonice Gouveia e apontou uma porta de ônibus como culpada do homicídio. Em tese, Ministérios Públicos devem zelar pelo interesse público, assim como Tribunais de Contas, Poder Judiciário, políticos do Poder Legislativo e Executivo, servidores públicos etc... Enfim, os organismos e componentes que formam a parafernália que chamamos de Estado.
Se por um lado a homologação representa prejuízo para a maioria, por outro a consolidação da farsa dos ônibus de Curitiba acabou se tornando pedagógica no sentido de demonstrar a população que de fato, em termos de instituições governamentais e seus acessórios, não há ninguém por nós além de nós mesmos.
Cada vez mais é possível perceber a real utilidade dos governos: servir ao interesse de oligarquias econômicas, em troca de poder e prestígio à oligarquias políticas, mas não sem o jugo da população, sempre iludida com os falsos valores vendidos por ambos.
Enfim a lição: não esperar por governos e instituições e sim agir diretamente sempre que possível.
VEJA AINDA:
- Caso Cleonice Gouveia e Tragédia da Tiradentes.
- Termos básicos da impugnação administrativa interposta pela Sociedad Peatonal e apoiadores.
- Fotos do memorial às vítimas dos ônibus, imediatamente arrancado pela Clear Channel.




